Defesa cibernética: Governo precisa centralizar política nacional

Defesa cibernética: Governo precisa centralizar política nacionalAs ações voltadas para o combate aos crimes na Internet e de defesa cibernética estão sendo articuladas de forma estanque pelos entes envolvidos, entre eles, a Polícia Federal e o Exército. Falta, na visão do diretor do Departamento de Segurança da Informação e Comunicações da Presidência, Raphael Mandarino, um órgão capaz de articular e coordenar as iniciativas.

“Acredito que as ações em torno da defesa cibernética – com atuação do Exército, a partir do CDCyber, e da Polícia Federal na repressão têm impacto, são relevantes e estão coordenadas, mas muito mais porque os profissionais de Segurança se conhecem e trocam informações. Precisamos de um órgão para articular e, especialmente, para ter uma visão estruturante de política nacional”, destacou Mandarino, que participou de debate sobre o tema na BITS 2013.

Mandarino lembrou ainda que uma coordenação mundial em torno de defesa cibernética é um ‘assunto fácil para falar e difícil de conduzir”. Isso porque, hoje, 243 países têm domínio Internet. Ele lembrou que nos últimos três anos participou de reuniões com executivos responsáveis pela área de 16 países e, ao final, de vários encontros, ‘nada ficou fechado.

“A ONU reúne pouco mais de 190 países e não é tarefa simples fechar acordos. No mundo da Internet também. O Brasil não assinou a Convenção de Budapeste, muito por conta de não querer adotar a política de Direito Autoral dos Estados Unidos. Partimos, então, para acordos bilaterais. Hoje já assinamos com Estados Unidos, Rússia e Israel. Posso sustentar: esse jogo não é para crianças”, completou.

Estudo mundial colocou o Brasil como um dos países menos preparados para ataques cibernéticos em um ranking de 23 nações analisadas pelo centro de pesquisas belga Security Defense Agenda (SDA) e pela McAfee. Dos países estudados, nenhum obteve a nota máxima (5) de total prontidão contra ataques virtuais. O Brasil teve nota 2,5, ao lado de Índia e Romênia, ficando à frente apenas do México.

Ainda de acordo com informações disponibilizadas pelo Departamento de Segurança da Informação e Comunicações, da Presidência da República, o país possui cerca de 320 grandes redes, sendo que cada uma sofre, em média, quatro milhões de ataques/ano. Ataques mais perigosos – cerca de 2.100/por hora – são voltados para atingir Pesquisa e Desenvolvimento.

Fonte: UOL